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Fonte: http://www.sergioboechat.blog.br/nota.php?l=e6d309851514780119a97fc1a8227c4c

SERVIDOR PÚBLICO: SEMPRE O BODE EXPIATÓRIO.

05/06/20 01h47

Bode expiatório é uma expressão usada para definir uma pessoa sobre a qual recai toda a culpa, quando acontece algum tipo de infortúnio. O Servidor Público, por exemplo, é o bode expiatório de quase todos os governos: Municipal, Estadual e Federal. Quando surge qualquer tipo de crise, a primeira coisa que os “gestores” fazem, na sua grande maioria, é reduzir, congelar ou não pagar os salários e as vantagens conquistadas pelos Servidores Públicos durante toda a sua carreira. 

Todo mundo está careca de saber que quem faz as coisas acontecerem na Administração Pública, em qualquer nível, é o servidor de carreira. Os Comissionados e os RPAs são cargos políticos e são contratados, com raríssimas exceções, para compensar apoio político ou para agradar as lideranças mais importantes. De um modo geral, não entendem nada de nada, não cumprem a carga horária, não têm nenhum compromisso com os princípios básicos da Administração Pública e também não estão nem aí para o que vai acontecer em um futuro próximo. Em resumo: São cargos políticos circunstanciais e deveriam ser tratados como tal.

Nas campanhas eleitorais, os candidatos prometem mundos e fundos para os servidores públicos, porque sabem que eles representam, com as suas famílias, um percentual importante dos eleitores que vão às urnas elegerem os futuros prefeitos. Querem ganhar a eleição, mas depois simplesmente esquecem todos os compromissos assumidos e “tudo continua como dantes no quartel de Abrantes”! Infelizmente, esta é a rotina na maioria esmagadora dos mais de 5 mil municípios Brasil afora e dos 27 Estados. 

Eu trabalhei no Governo Samuca durante 15 meses, mas me afastei quando percebi que muito pouco mudaria, em relação ao funcionalismo, comparado com os 16 anos de governo do Neto, que sempre massacrou os servidores, congelando salários, não cumprindo o dispositivo constitucional que determina o reajuste dos servidores anualmente, retirando direitos dos servidores, inviabilizando o FAPS e acabando com o diálogo entre o Governo e os servidores. Achei que tudo seria diferente a partir do dia 1º de janeiro de 2017, mas infelizmente não foi isto que aconteceu e achei melhor me afastar para não ser cúmplice de outra fase muito difícil do funcionalismo, o que acabou acontecendo.

Em uma gestão séria não deveria haver RPA, a não ser em casos excepcionalíssimos e por curto prazo. Os cargos comissionados deveriam ser limitados a um percentual do número de servidores. O quadro de pessoal deveria ser enxuto, com um mínimo de servidores comissionados e todos ocupando funções específicas, sem conotação política. O cargo de SubSecretário não deveria existir, mas se houvesse uma situação que exigisse a sua presença, só poderia existir um cargo em cada secretaria e sempre ocupado por alguém especialista na área em que foi nomeado. Nunca deveria servir como pretexto para simplesmente conceder aumento a determinados servidores. Volta Redonda é um belo exemplo do que nunca deveria ter sido feito em termos de pessoal, a partir de 1997. 

O Governo Federal, comandado por um gestor absolutamente incompetente, vem com uma proposta de redução e congelamento de salários do servidor público, no exato momento em que milhares de servidores colocam a vida em risco, trabalhando em unidades de saúde, correndo o risco de perder a sua vida, como já aconteceu com muitos deles, em contato com o corona vírus. Mais uma vez fica comprovado que o servidor público é sempre o bode expiatório de qualquer situação que surja no cenário nacional, cabendo a estes servidores pagar a conta da incompetência e da falta de planejamento dos maus gestores que comandam este país.